Salve os Pretos velhos

Os Pretos- Velhos
Salve A Corrente Sagrada dos pretos-velhos
Kakarucai meus Preto-velhos.
Eu Adorei as Almas.
Os pretos-velhos são entidades querídissimas de todos umbandistas pois, são os nossos grandes conselheiros, sempre com palavras doces e meigas. Nos mostram principalmente a humildade, apesar de a maioria ter sido escrava ajudam qualquer um que lhe pedir ajuda, sem pedir nada em troca. Os pretos-velho não são necessariamente espíritos que tiveram sua ultima encarnação como negros, hoje vê-se em terra espíritos nesta linha que foram hindus, orientais, e até mesmo europeus que se assemelham com o trabalho desta linha.
Mas a maioria ainde são de negros que encarnaram na mãe África, principalmente em Angola, Congo, Moçambique entre outros países e até também aqueles que encarnaram aqui mesmo no nosso país.
É fácil conhecer um preto-velho em terra pois o aroma das ervas queimadas em seu cachimbo tomam conta do ar, alguns usam bengalas ou cajados, as pretas-velhas normalmente usam lenços e mantas enquanto os nêgos usam gorros ou chapéu de palha.Os Preto-velhos
Os Pretos Velhos são os espíritos dos nossos irmãos africanos trazidos ao Brasil na época da colonização, período em que a raça negra foi escravizada pelo colonizador português em nosso Pais. Os negros foram ainda escravizados por outras nações em outras partes do mundo, como exemplo; os Espanhóis que também os escravizaram na colonização da América Central e os Ingleses que os escravizaram na época da colonização da América do Norte.

Com nossos irmãos africanos aprendemos lições (muito difíceis de praticar) de perdão sem limites e amor ao próximo, de forma, que nenhuma outra entidade com a qual tivemos contato conseguiu transmitir. Na Umbanda apresentam-se como espíritos muito simples e extremamente bondosos, são sempre muito pacientes em tudo o que fazem e ensinam.

Normalmente desencarnaram em idades avançadas, por esse motivo apresentam-se nos templos, arqueando o corpo do médium, transmitindo a impressão de alguém com muita idade.
No desenvolvimento de seus trabalhos que são sempre muito sérios, ouvem mazelas e sofrimentos de toda espécie, transformando o desenvolvimento de seus trabalhos em verdadeiras sessões de psicanálise, ocasião em que sempre trazem o conforto e a paz de espírito a todos que os procuram. Trabalham sentados em banquinhos ou em pé, usam cachimbos, charutos ou cigarros de palha em suas defumações.

Quando encarnados nas senzalas eram praticantes e grandes conhecedores dos processos da velha magia africana, inclusive a negativa. Hoje utilizam esses conhecimentos para desmanchar feitiços e macumbas tenebrosas.
Chegaram ao Brasil acorrentados em navios conhecidos como negreiros ou tumbeiros. A falta de higiene, os maus tratos e as doenças faziam com que muitos morressem durante a viagem, daí o nome tumbeiro também usado para navio negreiro. Quando chegavam ao Brasil eram vendidos como animais em leilões públicos e em seguida espalhados pelo Brasil. Aqueles que os compravam, procuravam fazê-lo em lotes de diferentes nacionalidades, costumes e idiomas, com o objetivo de dificultar a confraternização e as fugas.

Espalhados pelo Brasil, fundaram em conjunto ou não com os nossos índios vários cultos, dando origem ao Candomblé na Bahia, ao Catimbó no nordeste, O Xangô em Pernambuco e o Batuque no Rio Grande do Sul e outros cultos menores e muito raros como o Omolocô e o Tambor de Minas.
Na Umbanda essas nações formaram a conhecida linha dos Pretos Velhos, por espíritos desencarnados na época da escravidão. Seus trabalhos sempre muito simples atingem psicologicamente os adeptos da religião, ocasião em que seus consulentes descarregam mágoas, aborrecimentos, dores, neuroses, conflitos, etc.

São grandes conselheiros, são espíritos missionários, depuraram-se no cativeiro, presos aos grilhões e sob a tortura e o peso da chibata. Perdoaram aqueles que os escravizaram, resgataram suas dividas kármicas e hoje nos ensinam a ter fé em Deus, praticar os ensinamentos do Evangelho de Jesus e a ter confiança no futuro.
Nem todos os negros escravos são hoje Pretos Velhos, aqueles que se apresentam nos terreiros de Umbanda nessa condição, são somente aqueles que conseguiram perdoar a dor da chibata, as humilhações morais e todas as demais dores e afrontas impostas e praticadas pelo branco colonizador.
Cor
Preto e Branco
Saudação
Adore as Almas - Salve as Almas - Sarava Zambi
Sincretismo
São Benedito - Santo Antonio (negro)
Dia da Festa
13 de maio (libertação dos escravos)
Frutas
Todas as Frutas (dentro do ponto)
Flores
Crisântemo Branco - Margarida - Lírio Branco
Ervas
Arruda e Guiné
Banho
Arruda - Comigo Ninguem Pode - Rosa Branca
Bebidas
Café - Pinga com Mel
Cor das Velas
Branco e Preta ou Ojuntada
Oferendas
Arroz Doce - Canjica - Doce de Abobora - Bolo de Fuba-Doce de Cidra

 Mensagens de Vovó Maria Conga

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir espiritualmente.
Certa vez, em um centro do interior de Minas-Gerais, uma senhora consultando-se com um Preto-Velho comentou que ficava muito triste ao ver no terreiro pessoas unicamente interessadas em resolver seus problemas particulares de cunho material, usando os trabalhos de Umbanda sem pensar no próximo e, só retornavam ao terreiro, quando estavam com outros problemas.
O Preto-Velho deu uma baforada com seu cachimbo e respondeu tranquilamente:
"Sabe filha, essas pessoas preocupadas consigo próprias, são escravas do egoísmo. Procuramos ajudá-las, resolvendo seus problemas, mas, aquelas que podem ser aproveitadas, depois de algum tempo, sem que percebam, estarão vestidas de roupa branca, descalças, fazendo parte do terreiro.Muitas pessoas vem aqui buscar lã e saem tosqueadas, acabam nos ajudando nos trabalhos de caridade".
Essa é a sabedoria dos Pretos-Velhos... Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados.
Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo, o respeito a si mesmo , a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação, podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina, fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas procurando suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.
Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece, e cresce, consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos.
Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero, enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida:
"Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS"
(Pai Cipriano). 
salve a corrente Sagrada de Preto-velho
Salve Pai Benedito de Aruanda

alve a corrente Sagrada de Preto-velho
Salve Pai Benedito de Aruanda

Pai Benedito é um velhinho bem simpático, de poucas falas, tem os cabelos e a barba bem branquinhos, olhos castanhos claros e bem negro. Viveu em Angola entre o ano de 1608 a 1630, logo depois foi vendido como escravo para fazendeiros brasileiros. Viveu sempre em cativeiro, trabalhando na lavoura de cana-de-açúcar. Naquele tempo já possuía o dom da cura, pois com as ervas já curava os ferimentos de seu povo, que eram feitos através das chibatas dos feitores e do trabalho árduo dos engenhos.Pai Benedito teve muitos filhos e netos, bisnetos, etc... Morreu aos 98 anos de velhice, cansado daquela vida. Mas antes de morrer tinha esperança na libertação de seu povo e de uma vida digna, em liberdade. Por serem espíritos que sofreram aqui na terra, são espíritos calmos, de muita sapiência, pois na época a única coisa que possuíam era à força de nosso Pai. Na falange dos Pretos Velhos, é benzedor, mandingueiro, usa ervas e mel em seus trabalhos. Fuma cigarro de palha, cachimbo e às vezes charutos, toma água com mel e marafo com mel. Gosta de um bom feijão com farinha e rapadura. Seu temperamento é paciente, bom conselheiro, não fala muito. Não aprecia curiosidade inútil. Trabalha na umbanda e na quimbanda junto com Omulú,
quando tem mandinga para ser tirada. Não gosta de injustiça, traição e nem orgulho e soberba de filho que trabalha em cajuá e nem de consulentes.Usa uma guia de contas de Nossa Senhora com crucifixo de madeira e duas figas uma de arruda e outra de guiné preta e vermelha ou preta e branca. Trabalha com o médium há algumas encarnações. Tem como cambone espiritual Pai Tomé que assume os trabalhos quando está na Quimbanda. Pai Benedito de Angola, trabalha para o homem físico no mundo material e no mundo espiritual, com as ervas de Oxóssi. Na Umbanda e na Quimbanda seus trabalhos são feitos nas matas e no cemitério, cruzeiros das almas.

Salve a corrente Sagrada de Preto-velho

Ponto de Maria Conga
Vovó não quer casca de coco no terreiro.
Vovó não quer casca de coco no terreiro.
Prá não lembrar o tempo do cativeiro. 2x

De onde ela veio, Angola, Congo, Moçambique, Guiné, Luanda, não importa, pois a sua presença
 representa um lenitivo para as nossos sofrimentos e uma lição de vida daquela preta velha,
 que com o seu cachimbo branco, saia carijó, terço de lágrimas de nossa senhora, senta-se em um
toco de madeira
 no terreiro e conta os fatos de sua vida em terra brasileira, começando dizendo que só o fato
de podermos
 conviver com nossos filhos é uma grande dádiva.
Vinda da África distante, filha de Pai Rei Congo e Vovó Cambinda,
chegou a Bahia pelos navios tumbeiros a escrava
que foi dado o nome de Maria.
Como sua origem era da tribo do Rei do Congo, foi chamada de Maria Conga.
Naquele tempo as negras eram coisas e destinadas a cuidar da lavoura, a procriar,
a gerar filhos que delas eram afastados muito cedo, até mesmo antes de serem desmamados.
Outras negras alimentavam sua cria ou de outras escravas, assim como tantos outros candengues
 foram amamentados pela Vovó Maria Conga. Quase todas as mulheres escravas se transformavam em mães;
 cuidavam das crianças que chegavam à fazenda sem saber para onde foram enviados os seus pais,
 rezando para que seus próprios filhos também encontrassem alento aonde quer que estivessem.
 Os orixás africanos, desempenhavam papel fundamental nesta época. Diferentes nações africanas
que antes guerreavam, foram obrigadas a se unir na defesa da raça e todos os orixás passaram a
trabalhar para todo o povo negro. As mães tomavam conhecimento do destino de seus filhos através
 das mensagens dos orixás. Eram eles que pediam oferendas em momentos difíceis e era a eles que todos
 recorriam para afastar a dor. Vovó Maria Conga para deixar de ser uma reprodutora passou a se utilizar
 de algumas ervas, e pelo fato de ser uma escrava forte, foi enviada para a plantação de cana, onde a
 colheita era sempre motivo para muito trabalho e uma espécie de algazarra contagiava o lugar, pois as
mulheres cortavam a cana e as crianças, em total rebuliço, arrumavam os fardos para que os escravos
 os carregassem até o local indicado pelo feitor. Foi numa dessas ocasiões que Maria Conga soube que um
 dos seus filhos, afastado dela ainda no período de mamentação, tinha se tornado um escravo forte
e trabalhava numa fazenda próxima. Então o amor falou mais forte e seu coração transbordou de alegria
 e nada poderia dissuadi-la da idéia de revê-lo. Passou Maria Conga a escapar da fazenda, correndo de
sol a sol, para admirar a beleza daquele forte negro. Nas primeiras vezes não teve meios de falar com ele,
mas os orixás ouviram suas súplicas e não tardou para que os dois pudessem se abraçar e derramar as lágrimas
 por tanto tempo contidas. Parecia a ela que eles nunca tinham se afastado, pois o amor os mantivera unidos
 por todo o tempo. Certa tarde, quase chegando na senzala, a negra foi descoberta. Apanhou bastante, foi
 acorrentada,
 mas sempre conseguia passar os seus pés pelos grilhões e não deixou de escapar novamente para reencontrar
 seu filho.
Mais uma vez os brancos a pegaram na fuga, novamente a acorrentaram com os grilhões nos pés e como ela ainda
insistisse uma terceira vez resolveram encerrar a questão: queimaram sua perna direita, um pouco acima da canela
, para que ela não mais pudesse correr.
Impossibilitada de ver o filho, com menor capacidade de trabalho e locomoção, Maria Conga começou o seu lamento
de dor e passou a cuidar das crianças negras e de seus doentes. De repente, Maria Conga foi encontrada calada,
 triste, com o coração cheio de tristeza ao saber que seu filho tinha sido morto quando tentava fugir para vê-la.
Seu comportamento mudou e de alegre e tagarela passou a ser muito séria, mas sempre cuidava dos escravos doentes
 e de outros negros que vinham procurar o seu conselho e contava histórias de reis negros para as crianças,
de outras terras além mar, onde não havia escravidão. Um dia os escravos ao procurar pela Vovó Maria Conga
 dentro da senzala, estranharam o seu sono sereno e o seu semblante alegre ao dormir. Como o sol rompeu e a
escrava não acordava os escravos a foram chamar, foi onde houve a surpresa, não encontraram o corpo, pois Maria
Conga desencarnou e não mais estava neste plano terrestre, pois Orumilá a havia resgatado, para se tornar mais
uma estrela da sua constelação.
 De nada adiantou os feitores açoitarem os escravos, pois os mesmos não sabiam como explicar o sumiço
 da escrava Maria Conga.

Então os escravos passaram a adorar como uma santa e toda vez que necessitavam das suas curas , entoavam:
Brilhou uma estrela no céu
Oxalá mandou Maria Conga na terra
E lá no mar as ondas batiam, saravando a preta velha Maria Conga da Bahia.”
Autor Desconhecido

Vovó Benta.

Mãe Benta
Negra esbelta, de sorriso sorrateiro e conquistador, de requebrado insinuante, andava pelo casarão deixando no ar o cheiro do manjericão. Cantarolando, sempre faceira atiçava o desejo, nos negros e também nos brancos. Não passou despercebida do olhar do patrão, sinhozinho cujos dotes de beleza também assanhavam aquela negrinha. E assim, depois de uma primeira vez, foi inevitável que todas as noites ele a procurasse na senzala. Não era só um desejo, mas além do corpo que ardia ao vê-la, seu coração estava emaranhado num sentimento ao qual ele negava.
Foram anos de encontros furtivos, aos quais a sinhazinha fingia não ver. E muitos abortos, num dos quais a negrinha desencarnou.
Haveria de renascer em muito pouco tempo no mesmo lugar. Negrinha doente, que sobreviveu à morte da mãe no parto. Muito cedo aprendeu a benzer e ali estava uma negra curandeira. Parteira requisitada, não tinha hora para atender, até o dia em que, para salvar uma escrava das mãos do feitor, levou uma paulada nas costas e aleijou. Andou o resto de sua vida agachada e com fortes dores, mas nem por isso deixava de salvar vidas. Desencarnou cega e arqueada, porém feliz.
Mas havia muito a ressarcir na contabilidade do céu. Por isso, juntou-se às bandas de Aruanda e como preta velha desce à crosta para ajudar a curar e aconselhar. Precisou de um aparelho cujo comprometimento fosse adequado às suas energias, para que juntas possam aprender que é curando as feridas alheias, que as nossas cicatrizam.
De galho verde na mão e muito amor no coração, Vó Benta visita seu aparelhinho, baixando-lhe as costas e transferindo um pouco da dor que sentiu na carne para que este saiba que a humildade se faz necessária. Seu alvo avental, ao final do trabalho está sempre cheio de nós, que ela faz, para desfazer aqueles que os filhos de fé trazem até ali. No final da noite, junta-se aos irmãos e volta para Aruanda, até que a próxima lua a traga novamente cantando:

Vem chegando Vovó Benta
Benzedeira de Aruanda
Com seu galhinho de Arruda
Vem benzer filho de Umbanda....

Texto de: Beatriz, de Americana, SP
ADOREI AS ALMAS!!!!  

Pai José de Aruanda...

"Nego Cambinda trabalha em Nagô!
Serve a Umbanda de Nosso Senhor..."

Pai José de Aruanda é o nome de um guia espiritual da Falange dos Pretos-velhos de Aruanda. Ele foi um negro escravo alforriado, que viveu no século XIX, nas terras do Maranhão. Sua mãe foi trazida em navio negreiro no final de 1700 (em 1798, mais precisamente), pelas mãos de comerciantes de escravos holandeses. Durante a viagem ficou grávida e “José” nasceu no Brasil já sobre o jugo da escravidão. Por ser de pele clara e ter olhos diferentes dos demais (por causa do pai holandês, o qual nunca soube de sua existência), José era tido como mestiço e circulava entre brancos e negros, aprendendo o costume dos dois povos.
No final de sua vida foi alforriado pela Lei Áurea, mas já estava cego e doente, vivendo alguns poucos anos ainda sua liberdade tardia. Durante sua vida de escravo trabalhou em lavouras de café, algodão e cana-de-açúcar. Aprendeu a arte da capoeira e do benzimento com seus ascendentes africanos, o que usou durante sua vida na fazenda para apaziguar seus irmãos e curar as feridas das chibatadas.
Em uma vida anterior, começo do século XVIII (1723), Pai José viveu na Europa como médico inglês renomado e respeitado sob o nome de Dr Albert Saint Peace. Mas, como diz ele, não fez jus ao diploma de médico, pois não praticou a caridade, nem ajudou os demais como deveria. Então pediu para nascer no Brasil e ser um médico dos pobres, como benzedor. E assim foi que, dessa forma, Pai José (Dr. Albert) renovou seu espírito e evoluiu, podendo seguir sua jornada como guia espiritual na falange dos pretos-velhos.
Segundo Pai Zé, para ele não adianta apresentar-se como "médico europeu" numa corrente mediúnica, se foi como "nego-velho" que ele evoluiu seu espírito!
Pai José teve reencarnação compulsória* entre sua existência como médico e sua vida como escravo. (*Quando morre em uma vida e renasce em outra automaticamente, sem ficar muito tempo no plano espiritual.)
 
Os pretos velhos se apresentam com nomes que individualizam sua atuação, do Congo ou de Angola, evidenciando sua atuação propriamente dita e procedência. Em sua linha de atuação eles apresentam-se pelos seguintes codinomes, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nominados de acordo com a região de onde vieram:
  • Congo (Pai Francisco do Congo) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã;
  • Aruanda (Pai Francisco de Aruanda) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (OBS: Aruanda quer dizer céu);
  • D´Angola (Pai Francisco D´Angola) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum;
  • Matas (Pai Francisco das Matas) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxóssi;
  • Calunga, Cemitério ou das Almas (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas) – refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omolu/ Obaluaê;
Entre diversas outras nominações tais como: Guiné, Moçambique, da Serra, da Bahia, etc… Muitos Pretos velhos podem apresentar-se como Tio, Tia, Pai, Mãe, Vó ou Vô, porém todos são Pretos velhos.
ADOREI AS ALMAS!!! SALVE OS PRETOS VELHOS DE UMBANDA!!!
AS SETE LÁGRIMAS DE UM PRETO VELHO.

sete-lagrimas-de-um-preto-velhoNum cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste preto-velho chorava.
De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pelas faces e não sei porque contei-as… Foram sete.
Na incontida vontade de saber aproximei-me e o interroguei. Fala, meu preto-velho, diz ao teu filho por que externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente respondeu: Estás vendo esta multidão que entra e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma delas.
A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber…
A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que seus próprios merecimentos negam.
A terceira, distribui aos maus, aqueles que somente procuram a UMBANDA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.
A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.
A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: Creio na UMBANDA, nos teus caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me curarem disso ou daquilo.
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.
A sétima, filho notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os Orixás. Fiz doação dessa aos Médiuns vaidosos, que só aparecem no Centro em dia de festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de amparo material e espiritual.
Assim, filho meu, foi para esses todos, que viste cair, uma a uma.


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